Ardem cios em sonhos.
Mas há sempre uma garça
Ainda não alcançada
A explodir na madura
Vagem de solidão
Sem gordura e sem sal
Que se vê retratada
Na palma reclinada
Sobre o jornal de Sábado
E o nirvana, já em casa,
Numa torta de banana
Nesse final de semana
Sem quintal e feijoada.
Essa meia altura sagra
Só a espuma sossegada
Da ondulação quebrada
Nos escritórios fechados
Com o seu micro-alarde
Em laivos de eternidade
Num rabo escuro de papel,
Finanças de outra fábrica
Já nomeada por um crítico
Obra-prima do pós-político.
Fica a barba mimada por fazer
E eu não sei em que rima hei-de isto ver
Mas já ninguém declama o regresso do sonho
Que menos cresce quanto menos se balança.
No fim do roteiro
O ódio no espelho
De Yacala engulha.
São as horas da Besta.
As ampulhetas do extermínio.
A carne de terceira.
Os funcionários muito assíduos.
Hemorragias internadas
Que envernizam por dentro
A cometer o engano
De cantar tão longe
Sem brisa nem tom.
Tudo isso Deus quis
Neste lugar em
que a vida perde os
sentidos em nome
dos outros que sem
eles tu aprendes
O quanto estás bem,
Tão bem conservado,
Forasteiro e amigo
De amigo na cisão
Do cálculo balístico
Dos interesses e
Das escolhas migrantes.