Não penso que Tu sejas, incriado,
O criador de tudo quanto existe.
Nem que na sombra vã deste passado
A tua luz se apague em canto triste.
Nem que permitas, no maior pecado,
Darem-te nomes onde nada viste-
E ser assim, por nós, aqui negado
O verso do poema que encobriste.
Pregado em nosso tempo és a esperança:
Vens e nós não sabemos onde estás.
Inventamos-te um rosto que nos cansa...
Não Te vimos porque não temos paz.
Porque temos razão, e não Te alcança
O nosso coração, que se desfaz.